sexta-feira, 9 de abril de 2010

É estranho escrever-te assim, os momentos que comigo partilhavas e como ainda procuro as folhas em branco da história que tínhamos.
Fomos feitas diferentes, de uma forma inacabada. Tu eras aquele tudo, sabes?
E eu aquele nada...
Continuo com perguntas sem resposta de 'porquês' que nunca te dei, e vou ouvindo a dança que os ponteiros do relógio me trazem com memórias de tempos onde te encontrei e estavas aqui ao pé de mim.
As memórias vivem, mas eu não, acho, que perdi a luz que tinha quando olhavas para mim e me chamavas “filha”.
Pergunto-me, quando é que a esperança se vai desgastar, quantas noites vou sonhar contigo e acordar a chorar.
Pergunto-me por ti, porque teve de ser assim. Pergunto-me.
E leio-te, sei ver as respostas nas palavras que não me dizes, sim, talvez o teu silêncio diga tudo.
E dizer-te que tenho saudades sem as puderes ver.
E podia tentar entender porque te perdi, de uma maneira diferente de todas as outras, olhar-te de novo como já te olhei, sem o medo irracional de te voltar a perder,
porque sim, já não te posso sentir, ver, cheirar.
E vou pôr todas as músicas e cheiros que me deste nas recordações,
vou juntar tudo e olhar te aquela última vez, imaginar-te como sempre te imaginei, e eu sei, não vais perguntar, vais entender.
Mas não vou continuar a esperar, que um dia voltes para mim,
com a mesma inocência dos primeiros tempos.
E entretanto vou cair na melancolia de não sentir,
vou olhar para o relógio e rasgar as folhas do calendário,
ver a cor dos dias a passar sem se repetir de forma igual.
E talvez a saudade seja isso mesmo, uma ilusão, uma mentira bem contada a nós mesmo apenas para nos dar esperança,
para talvez aguentarmos mais dia, de uma existência em que ninguém reconhece o que somos.
É como um castelo no ar, e se o vento o levar transforma se em nuvens, daquelas bonitas que dançam no céu.
Como uma primeira
e única vez
sempre.

Sim, é para ti Mãe

2 comentários:

Sandra Carvalho disse...

Assim que comecei a ler este teu post percebi tudo....e nem era necessário ler a tua última frase....

Adoro-te, nina...

Tenho saudades....

Força! :)

Beijoooooooo

a Márta disse...

já o primeiro post que postas-te sobre a tua mãe me fez chorar , e este ainda mais :\
tens uma maneira de escrever magnifica , adoro a maneira como te expressas nas palavras .
beijinhoos <3
( desculpa a invasão )